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SOL POSTO

SOL POSTO

14
Jun21

liberdade

Rita Madureira

crescemos a aprender que a liberdade tem limites. que existem leis, normas sociais que devem ser cumpridas. que a nossa liberdade começa quando a do outro termina. vivemos em liberdade, mas uma liberdade condicionada. se acho isso errado? não. não sinto que a minha liberdade seja restringida pelas leis, por exemplo. aliás, essas mesmas leis, asseguram a minha e a vossa liberdade de escolha e de expressão. 

para mim, ter liberdade é sobre poder pensar, falar, ouvir e ver o que quiser. é sobre poder escolher, ser quem eu quiser ser. é sobre seguir o desígnio da minha consciência, plena das minhas responsabilidades. ter liberdade exige que carreguemos o peso das nossas decisões. exige saber viver em sociedade. ser livre é sermos donos da nossa própria vida. e apenas e só da nossa vida. sermos livres não nos dá direito de invadirmos a vida do outro, de privar a sua liberdade de expressão ou de criticarmos as suas escolhas.

houve quem da liberdade não pudesse tirar gozo. nós podemos. reconheço o privilégio de ter liberdade, talvez menos do que aquele que devia. mas sou grata por ela e, se ela algum dia me faltar, irei reclamá-la como muitos outros a reclamaram e a conquistaram por mim. 

 

"A liberdade, sim, a liberdade!

A verdadeira liberdade!

Pensar sem desejos nem convicções.

Ser dono de si mesmo sem influência de romances!

Existir sem Freud nem aeroplanos,

Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!"

"A liberdade, sim, a liberdade", Álvaro de Campos. Fernando Pessoa.

 

chave-da-liberdade.jpg

 

14
Jun21

"escuteiro uma vez... escuteiro toda a vida"

Rita Madureira

entrei para os escuteiros com 8 anos. 9 anos se passaram e o compromisso que jurei cumprir com o escutismo ainda não se rompeu.

faço parte do CNE- Corpo Nacional de Escutas, escuteiros católicos, e da família do Agrupamento 1173-Fornos. entrei influenciada pela minha irmã, que já lá andava. normalmente, quem entra para os escuteiros, entra porque alguém lhe lança a ideia. decidimos experimentar e, quando nos apercebemos, não queremos sair mais. 

o escutismo é um "convite verdadeiro a substituir o egoísmo pelo serviço", é um modo de vida. é um movimento que faz de nós jovens adultos, responsáveis e autónomos, que nos faz querer fazer sempre mais e melhor. começa-se em lobito, com brincadeiras e canções alegres, passa-se para os exploradores, um novo caminho com mais desafios, nos pioneiros, "os azuis" buscam novos mundos e assumem a vontade de viver sobre a máxima "Saber, Querer e Agir", nos caminheiros, "artesãos de um Mundo Novo, forjando em si mesmo e nos outros", acontece a grande decisão: a partida. por último, os dirigentes, o fim e o início de uma nova etapa. 

ser-se escuteiro é querer ser mais e ter menos, é ser-se feliz. ser escuteiro é carregar, todos os dias, figurativamente, o lenço ao peito e lembrarmo-nos do compromisso que assumimos perante Deus, a Pátria e a Comunidade. ser-se escuteiro não é mais do que sentir o desejo de construir um mundo melhor, de ganhar asas e voar. é viver com o Espírito de Serviço. 

aprendi muito com o escutismo: aprendi que eu não sou sem os outros, mas que eu também ajudo os outros a serem, a ser fiel a mim mesma. aprendi a ouvir, a ter calma. aprendi a ultrapassar as minhas perplexidades. já fui lobita, exploradora, pioneira e, agora, sou caminheira. tenho uma relação longa com o escutismo. já tentei pedir-lhe um tempo, mas fez-me falta vivê-lo, mesmo sabendo que ele mora em mim. 

Rita Madureira

Arara Audaz 

14
Jun21

"era feliz e nem sabia"

Rita Madureira

"era feliz e nem sabia" quando podia sair com os meus amigos, sem horários.

"era feliz e nem sabia" quando as festas da terrinha ainda se faziam. 

"era feliz e nem sabia" quando podia abraçar as pessoas sem qualquer preocupação.

"era feliz e nem sabia" quando, aos domingos, as tardes se faziam no terreiro da minha avó, com a família toda. 

"era feliz e nem sabia" quando o sorriso não era tapado por uma máscara. 

"era feliz e nem sabia" porque achava que os abraços, as festas, o poder ir ao cinema, ver espetáculos ou jogos de futebol no estádio, iam ser para sempre. porque estava demasiado ocupada em lamentar-me sobre os males da vida. assusta-me a realidade que vamos viver daqui para a frente. sei que a situação pandémica está a melhorar, mas, ainda assim, assusta. o Covid veio-nos tirar muita coisa, mas veio-nos relembrar que vida só existe uma e que a vida só faz sentido se for para ser vivida, de corpo e alma. 

girassol-capa.jpg

(girassol: a flor que simboloza a felicidade)

 

13
Jun21

sobre a diferença

Rita Madureira

o conceito de ser-se "normal" cansa-me. cansa-me o facto de termos de ser todos iguais, de termos de corresponder aos padrões de beleza. aliás, o conceito de ser-se "normal" é subjetivo. a minha normalidade não é, certamente, a vossa. mas existe o conceito de "normal geral", se assim o posso dizer, e todos os que das "linhas limite" passarem, são alvo de julgamento porque a mente às vezes consegue ser tão tacanha ao ponto de não aceitar a diferença.

achava eu que, nascendo num país livre, as pessoas pudessem ser o que quisessem, vestirem o que quisessem, serem felizes como elas bem entendessem. quer dizer, podem, mas arriscam-se às constantes opiniões alheias maldosas, aos olhares de lado quando andam pelas ruas. gostava que esta diferença fosse mais bem recebida. que o preconceito sobre quem é homem e mulher, mas se veste como o sexo oposto ou em relação à sexualidade fosse menor. para bem, haveria de nem existir, mas utopias nunca passarão de narrativas escritas ou pensadas de como seria uma sociedade perfeita.

no entanto, hoje em dia, acredito que a sociedade está mais recetiva àquilo que não é normal e que a diferença passou a ser elogiada, ainda que o preconceito persista (e continuará a persistir). mas também é importante referir que às vezes o julgamento se faz de forma inconsciente e que toda a gente o faz. o importante é não verbalizar porque se não for para acrescentar nada de bom a outra pessoa, opta-se pelo silêncio. 

a diferença acrescenta. a diferença marca. é bom sermos diferentes. se fossemos todos iguais, qual seria a graça de andarmos neste mundo? por isso, sejam como querem ser, vistam-se como se quiserem vestir, ouçam o que quiserem ouvir. não se preocupem com o que os outros vão achar, o que interessa é estarem e serem felizes do jeito que são! 

13
Jun21

"Telescope"

Rita Madureira

by Cage The Elephant.

acompanho os Cage The Elephant há muito tempo. foi amor à primeira música. "Telescope" faz parte do álbum Melophobia. a seguir à música "Cigarette Daydreams", para mim, esta é a melhor música do álbum. "Telescope" fala sobre a história de Matt Shultz, cantor da banda, que se vê a si e à sua vida do lado de fora, sem se sentir realmente nela. fala sobre a solidão e sobre não perder tempo da mesma forma que Matt fez. 

"Time is like a leaf in the wind/ Either it’s time well-spent/ Or time I’ve wasted."

13
Jun21

"Bandido Velho"

Rita Madureira

by Allen Halloween. 

descobri o Halloween há cerca de 3 anos. a primeira música que ouvi dele foi a "No Love". em 2019, abandonou a sua carreira para se dedicar à religião, mas, antes de ir, deixou-nos o seu último álbum, Unplugueto, um acústico de rap tocado na Mpc. 

tudo o que o Halloween cantava era a realidade, com a sua voz funda e arrastada e com a honestidade e transparência absoluta com que sempre nos habituou. "Bandido Velho", um dos meus sons favoritos, é uma música em que o artista aconselha os jovens de hoje em dia a não seguirem a vida do crime. 

"Quem não arrisca, não petisca, ya, é verdade/ Mas não há melhor petisco do que a liberdade"

 

 

 

13
Jun21

"Supernós"

Rita Madureira

by Valter Lobo. 

sei que música já foi tema aqui no blog, mas há músicas que precisam de se fazer ouvir. "Supernós" é uma delas. descobri o álbum "Mediterrâneo" do Valter Lobo em novembro do ano passado. na altura, tinha ouvido só uma das músicas que compõe o álbum, "Oeste". meses mais tarde, à procura de novos sons, redescobri o álbum do Valter Lobo. ouvi-o uma primeira vez, chorei. ouvi uma segunda, uma terceira. a "Supernós", para mim, é a mais especial. não consigo explicar o porquê. mas sempre que a ouço, sinto-me preenchida de amor e nostalgia.

ouçam-na e talvez percebam e sintam o mesmo que eu!

"Cultivarmos corações/ Sem espinhos"

13
Jun21

o fim do secundário

Rita Madureira

na passada quarta-feira fiz o meu último teste de secundário. por um lado, senti o alívio de já não ter a preocupação constante de estudar, mas, por outro, fez-se sentir em mim uma sensação estranha. a sensação de quem se apercebe que "porra, o secundário está a acabar!". 

se me pedissem para caracterizar estes três anos numa palavra eu diria desafiadores. fui muito feliz, não nego. mas acho que entrei para o 10º ano com a expectativa errada do que é isto do secundário. acho que fui demasiado iludida quando ouvia os mais velhos dizerem "o secundário é dos melhores anos das vossas vidas". foram bons, mas também foram cansativos, psicologicamente e fisicamente. eu sabia que iam ser, mas também achava que ia reagir de outra forma ao cansaço. e depois o facto de ter passado metade do meu 11º ano em casa e mais quase 2 meses no 12º ano por causa da situação pandémica, não ajudou à festa.

a ansiedade e o stress aumentaram muito nestes três anos, mas tive de aprender a lidar com eles. os amigos de sempre mantiveram-se mas houve quem ficou para trás. fiz novos amigos também. conheci muita gente e tive sorte na gente que conheci: professores que fazem da sua profissão mais do que ensinar, que dão conselhos, que acreditam em nós e nos fazem acreditar em nós; funcionários que nos brindam com um "bom dia" de sorriso no rosto todos os dias, que nos ajudam quando estamos mal. devo muito a este leque de pessoas que por mim tanto fizeram e que, se calhar, nem consciência disso têm. 

termina o secundário e começa uma nova fase. não sei o que me espera daqui para a frente. não sei se vou gostar da fase que daqui a mais ou menos três meses vai começar. mas também não penso muito isso. ou então tento evitar pensar. sei que, embora estes três anos me tenham custado muita paciência e paz, me deram muitas pessoas especiais, muitas memórias felizes e aprendi uma coisa muito importante: acreditar que eu sou capaz! 

 

livros.jpg

 

 

 

 

11
Jun21

sobre agradecer

Rita Madureira

desde pequena que sempre em ensinaram a dizer obrigada e a dar valor a tudo aquilo que tenho. acho que com o tempo, "obrigada" se tornou na minha palavra favorita.

sinto a necessidade de constantemente agradecer por tudo aquilo que me dão e que tenho. sei que a vida não é justa para todos e saber que tenho a sorte de ter as minhas necessidades básicas satisfeitas, a sorte de conseguir comprar o que gosto, de ter o luxo de ter tempo para a família, para os amigos e para mim é de me sentir grata. 

nem sempre o fui. e às vezes ainda refilo porque "podia ter só mais um bocadinho". mas o ser humano é um ser inconformista. nunca está bem com aquilo que tem. nunca se dá por satisfeito. quer sempre mais. procura sempre mais. e não digo que o inconformismo seja só negativo mas esta busca desfreada por aquilo que ainda não temos e que achamos que só vamos ser felizes quando o tivermos é, muitas vezes, perder tempo e dedicação àquilo que já temos e que pode fazer de nós pessoas felizes.

dizer "obrigada" é um gesto tão simples, é gastar um segundo da nossa vida para agradecer a alguém alguma coisa. não nos ocupa tempo, não nos gasta a fala reconhecer o gesto bondoso que a vida e que as pessoas têm connosco. (acho que) muitas vezes a palavra "obrigada" e o agradecer cai no esquecimento por termos tanto que nem dámos valor ao que já temos e achamos que se temos agora, então vamos ter sempre. achamos que não precisamos de agradecer a comida, a roupa lavada e a cama em que nos deitamos todos os dias porque é algo tão banal de ter que para nós que já deixa de ser motivo para agradecer.

para mim, muito da vida é sobre isto. é sobre agradecer as mais pequenas coisas que ela nos dá. é sobre agradecer às pessoas pelo amor, pela paciência e pela sua presença. é sobre saber agradecer. agradecer com o coração, com a alma e conscientes de que não há maior agradecimento para a vida do que nos sentirmos gratos por ela.

 

bellflower-white-clips-(campanula-carpatica).jpg

(campânula: a flor que simboliza a gratidão)

 

 

11
Jun21

séries, filmes e cenas

Rita Madureira

o post anterior falava de playlists e música, este vai falar de séries, filmes e cenas. não sei quanto a vocês mas eu sou uma pessoa muito dada a séries. também gosto muito de filmes mas acho sempre que 2h é pouco tempo para contar uma história como deve ser contada. além das séries e filmes, também vos vou dar algumas recomendações de podcasts e de espetáculos de stand-up comedy.

a nível de séries, prefiro as não tão ficcionais. dentro das 584 que já vi, recomendo:

- "Game of Thrones" (um pouco ficcional mas não deixa de ter mérito) 

- "The Last Kingdom" (alerta: existe 99,8% de probabilidade de ficarem com crush no ator principal)

- "The Good Doctor"

- "Grey´s Anatomy"

- "Unorthodox" 

 

relativamente aos filmes, comédias, romances e terror são os meus genéros de eleição. por isso, aqui vai:

- "The Hangover" (sim, toda a gente já viu mas se não colocasse na lista, estava a falhar na vida)

- "Pride and Prejudice"

- "Revolutionary Road"

- "The Conjuring"

- "Saw" 

- "The two popes" (não se enquandra em nenhum daqueles géneros mas é importante assistirem)

 

sobre podcasts ainda não tenho muita bagagem mas, dos pouco que ouvi (e que ainda estou a ouvir), estes foram os que mais gostei:

- "Janela Aberta", Miguel Luz 

- "Ar livre", Salvador Martinha

- "ask.tm", Pedro Teixeira da Mota 

 

por último, os espetáculos de stand-up comedy:

- "Impasse", Pedro Teixeira da Mota

- "London Eyes", Rui Sinel de Cordes

- “Humanity”, Ricky Gervais 

- “E Agora?”, Kevin Hart

 

agora são vocês. chutem filmes, séries, livros, o que quiserem. preciso de atualizar as minhas vistas e os meus ouvidos com coisas novas! 

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